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Resquícios de Milão

  



SER CRIANÇA

 

 

 

No carro, com o vento batendo no rosto tão almejado, seguindo naquela estrada sem fim, escutava Balão Mágico. E bem na parte que eles cantam “super fantasticamente as músicas são asas da imaginação / é como a flor e a semente, cantar que faz a gente viver a emoção”... que me veio à tona todas as recordações. Que são de vocês também. Era mais ou menos assim (queria tanto que vocês sentissem a sensação de, de repente, voar por pequenos minutos dentro de um balão ...):

 

Lembro da capa do disco do Balão Mágico, vista pelo menos 5.234.870 em todos os seus mínimos detalhes. E a verdade nunca falada – e tenho certeza dela – é que todas as meninas queriam ser a Simoni. Todas eram a Simoni.

 

Essa música normalmente era escutada naquelas festinhas de aniversário na casa de alguém. Mas todos sonhavam pelo momento mais esperado: a dança da vassoura ou o pega-beijo (embora muitas vezes os meninos queriam brincar de esconde-esconde ou gato mia). Meu Deus como eu gostava do pega-beijo! Tinha também aquela outra brincadeira que ficávamos sentados, e um de pé, que escolhia em quem dar o beijo (como era mesmo o nome?). Torcíamos sempre para que o menino que a gente “gostava” (era esse o termo usado) nos escolhesse. E como era bom quando nos escolhiam ...

 

Na dança da vassoura sob a música London London cantada por Paulo Ricardo, imaginava cenas de amor, infantis, mas sempre de amor. O sonho, na época, era dançar com o menino que a gente gostava, encostar levemente a cabeça em seus ombros e abraçar como se não houvesse o amanhã. E ele era, naquele momento, o homem da sua vida. Que amor leal ...

 

Como era ingênuo. Como era saboroso ...



  10h43 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Lembro da primeira paixão. Lembro do coração disparar quando ele entrava na classe. E agora me vem o pedaço da música que a Simoni cantava (e eu cantava para mim mesma quando ele entrava): “quando você chega na classe nem sabe quanta diferença que faz / e às vezes faço que não vejo e não ligo/  e finjo ser distraída demais” ...

 

Fomos escolhidos noivos para a festa junina. Chegamos de poney. Lembro que a felicidade que eu sentia era a exata mesma felicidade que sinto hoje. Não existe idade para amar, sofrer, sentir. A sensação é igual a de hoje. A diferença, talvez, sejam os objetivos. A maturidade. Os sonhos. Lá eu sonhava no toque da mão, com um leve selinho nas pontas dos lábios. Sonhava com o seu olhar. Hoje sonho com uma família. Mas o sentir é o mesmo.

 

Aí chegava a aula de educação física. Chegava o momento de escolher os times. Vinha a aflição de todos. Rezando, implorando para que não fosse o último a ser escolhido. Incrível. As primeiras escolhidas eram sempre as primeiras a serem escolhidas. E as últimas escolhidas eram sempre as últimas a serem escolhidas. Como será que a sensação de ser o último? Hoje, olhando para trás, eu teria escolhido os últimos em primeiro.

 

Mas as sensações chamadas erroneamente de infantis eram reais para o momento. Lembro quando assisti ET e sonhava – literalmente – que eu era a menininha. Conseguia sentir isso. Eu estava lá, de verdade, com o ET. Era real. Conseguia sentir a sua pele, conseguia sentir a dor da menina quando o ET foi parar no hospital (Era um hospital?). Eu era ela. E o mais extraordinário é que hoje eu também sou as minhas fantasias. Mas descobri, com o tempo, que por mais que eu fantasie, metade de mim sou eu mesma.

 

Colocava na cesta da bicicleta (odiava aquelas cecis, eu tinha que ter a mesma bicicleta do meu irmão) – montada estrategicamente para isso, o meu cão – ah ... que saudades do Lyon. Meu coração veio na garganta ao lembrar o nome do meu melhor amigo durante toda a minha vida de criança e adolescente – um cão poodle, enrolado em uma manta branca, dentro da cesta da bike motocross, e pedalava pela enorme Rua Iraci, sentindo o vento, como se eu estivesse voando. E estava voando. Pelo menos eu sentia voar.

 

Me pergunto todos os dias se deveríamos voltar a viver acreditando naqueles sentimentos. Era tão mais puro. Tão mais verdadeiro. Hoje colocamos barreiras, jogos, que só causam insegurança e dor.

 

Por que não podemos mais fechar os olhos e simplesmente voar?

 

Sofro, porque mesmo vestida de mulher, ainda carrego – e para sempre vou carregar – o coração de uma menina ...

 

Talvez pelo fato de desejar aquilo que não custa nada e não tem preço ...



  10h43 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




LEMBRANÇAS

 

 

 

Lembranças ... são delas que vivemos. Agora mesmo, depois de uma correria inimaginável, sentada (ainda) diante de uma tela de computador, passam fotos e mais fotos e penso num passado já vivido.

 

Me dá uma certa angústia ver que de repente tudo já acabou. Sem nos dar conta... vira passado. Acaba. E pode até virar foto. Fotos são momentos congelados em busca da eternidade ...

 

Mas aquilo lá, já acabou.

 

Me bateu um certo desespero deparar com fotos de momentos que poderiam ter sido seguidos de uma outra maneira e que, pelo livre-arbítrio, deixei que eles passassem. E hoje vejo que perdi. Perdi por uma escolha daquele momento e que hoje bateu uma certa tristeza. Quase um arrependimento.

 

Maldita, as escolhas. Às vezes achamos que aquela escolha é a certa. E só depois de anos, nos damos conta que erramos. E como fiquei triste ao ver uma possibilidade que tive, nas minhas mãos, ter ido embora. E pior: por minha escolha.

 

Aí vem os “se’s” ... e se ... e se ... e se ... e se...já foi. Acabou. Aquele momento não existe mais. Lembro sempre que a vida nos possibilitou aquela escolha, seja ela qual for. Hoje vejo que errei ... Me engano com milhões de falsas razões que tentam dar suporte para ver como aquela era a melhor escolha. Mas como é mentira, como erramos. E como queria (talvez) ter seguido o outro caminho ...



  05h33 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Sei que não adianta pensar no que foi e muito menos nos “se’s”. Temos que olhar para frente e ver hoje as possibilidades que a vida nos apresenta. E ... continuar escolhendo. E uma escolha implica em várias renúncias. E é isso que dói. Mas até escolher tomar vinho nos renuncia a tomar uma caipirinha. Pelo menos naquele momento. Talvez por este motivo tenha decidido para sempre escolher com o coração. É ele quem nos acompanha pela vida toda ... o resto a gente batalha.

 

Aí penso no destino. Lembro das magias, das bruxas, das tarólogas, dos mapa-astrais ... lembro também que ninguém previu o atentado de 11 de setembro. Ninguém previu a cratera que fora aberta em São Paulo. Mas prevêem o nosso futuro.

 

Penso no destino. Existe?

 

(...)

 

Essas pessoas que dizem prever o futuro sempre alertam sobre o livre-arbítrio. Prevêem os mínimos detalhes, mas ao final ressaltam: lembre-se que existe o livre-arbítrio. O seu e o do outro. E que assim, o futuro (destino) pode ser modificado. Ou seja, há destino se podemos modificá-lo com o nosso livre-arbítrio? Penso muito nisso ultimamente. Aí me vem as palavras de Carlos Drummond de Andrade quando dissertava sobre esse tema:

 

 

(...)

 

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

 

E aí ... continuo a ver as fotos, pensando nas escolhas que já foram escolhidas e nas escolhas que teremos que fazer no resto das nossas vidas. Seja lá elas quais forem, são sempre escolhas. E a vida nos deu essa possibilidade.



  05h29 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




A ALMA DE UMA GUERREIRA

 

 

Pegar o carro, abrir a janela e sentir o vento no rosto. Deixar que aquele vento lave a sua alma, levando consigo todos os seus pensamentos. Não pensar. Só sentir.

 

Deixar a mente fluir sem que nenhum pensamento invada o seu momento. Deixar o vento bater e senti-lo como um carinho divino. Apreciar esse toque de Deus. Olhar para o céu, seja lá qual for a sua cor – pois tem a sua beleza – e agradecer pela vida.

 

A estrada é longínqua, parece não ter fim. Mas você não tem pressa, quer somente sentir o vento. Quer sentir o ar virgem de um novo começo. Clarear as idéias e talvez os ideais. Retrospectivas de uma vida, sem começo, meio e fim.

 

Chegar numa praia, sozinha, estender a canga, puxar um bom livro. Ler. Sentar. Sozinha. Olhar para o mar. Deixar Iemanjá arremessar a esperança de um novo começo, seja lá ele qual for.

 

Recuperar as energias. Estou cansada. Não tenho sono, estou exausta. Olhar para você. Para você. Lá dentro da gente. Se perguntar. Cuidar. Ninguém melhor do que nós mesmos para cuidar da gente. Sabemos o que precisamos, sabemos o que queremos, sabemos os nossos limites, conhecemos os nossos sonhos. Olhar para o seu coração e sentir cada batida. Cada batida renovada, límpida, com uma nova energia.

 

Ter forças para ser guerreira. Guerreiros também precisam descansar. Guerreiros também têm coração, embora o soldado não possa ter expressão. Guerreiros sofrem. Guerreiros cansam. Estou cansada, fisicamente cansada. Pensamentos traiçoeiros.

 

Não fugir. Isso jamais. Guerreiros não fogem. Mas guerreiros também precisam de um dia no mar.

 

Deixar o cigarro, deixar as unhas bem feitas, se presentear com um delicioso petit gateau. Andar, correr, mergulhar. Deixar Iemanjá lavar a sua alma. Suar até o limite para limpar todo o organismo. Obrigar o corpo a produzir o que fora perdido durante a batalha.

 

Organizar a mente. Pensar nas escolhas, nos fatos que nos são presenteados pela vida. Já decididos. As escolhas sempre estão escolhidas. A dúvida é uma mentira. Feche os olhos e se pergunte. O seu (sábio) coração sempre sabe a resposta.

 

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Os homens esqueceram essa verdade. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

O Pequeno Príncipe



  11h43 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




V E R D A D E

(ou mentira?)

 

 

 

Escutei que dentre todos os pecados, o pior deles é o roubo. Roubar. E que a mentira é o mais grave e danoso de todos os pecados, pois é o ato de roubar o direito do outro de saber a verdade.

 

A partir do momento em que temos a verdade, ou os fatos apresentados, temos, então, a opção da escolha. Escolher ficar com a verdade (e aceitá-la), que, a partir do momento em que nos é apresentada, torna-se uma escolha, ou ser obrigado a se entregar e viver na mentira.

 

Entretanto, saberemos que aquela escolha – quando se tem a verdade – foi por opção e não por imposição de nos terem roubado o direito de saber a verdade. (http://cabriganti.blog.uol.com.br/arch2004-09-01_2004-09-30.html)

 

Aí vêm as palavras, que podem ser verdadeiras ou não. A sutil diferença entre a verdade e a mentira são os atos, os fatos, as atitudes. É a arte do coração. Até Cássia Eller já cantava: “Palavras apenas; Palavras pequenas; Palavras, momento; Palavras, ao vento”...

 

Observamos as atitudes e quando realmente é importante pedimos a verdade. Precisamos da verdade. Por respeito ao outro e amor a você mesmo. Vêm dúvidas, pensamentos, cólera da gente e nunca do outro. Talvez porque a verdade que não nos foi apresentada já é tão verdadeira e a escolha tão certa, que só não nos foi falada.

 

Deveríamos pensar com a cabeça e agir com o coração.

 

E assim levanta-se, olha-se para o mundo e constata-se a beleza da vida lá fora. Ai Pásargada ...

 

Os grandes problemas que nos são apresentados numa terça-feira às quatro da tarde, certamente não são os grandes problemas da vida.



  10h30 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Claro que nos perguntamos tantos porquês. E o maior porque é o porque de se roubar aquilo que para a gente é a coisa mais importante da vida. E nem perceber ou ter a atitude de demonstrar que, embora se tenha roubado, era verdade. Seria, então, mentira?

 

(...)

 

Cabe a nós mudar e não ao outro. Não podemos esperar dos outros a mesma atitude que teríamos, pois inevitavelmente todos nós já cometemos este maior pecado, mentir. Acredito que o maior pecado não seja, então, a mentira. Mas os atos posteriores a essa mentira. Isso sim destrói. E não a mentira, que muitas vezes num determinado momento nos é inevitável – por diversos e particulares motivos.

 

Parece que é sobre algo específico que se reflete. Mas não só. É o todo, o de se cobrar até do passado remoto as mentiras cometidas e que não tivemos a covarde coragem de tomar atitudes posteriores. Nos cobrar. Mas acredito tanto que os atos são maiores do que as mentiras e as palavras ... E que sempre podemos lutar por elas. Até aquelas do passado.

 

Fechar os olhos e nos perdoar. Eu menti. Você mentiu. Eles também. Mas definitivamente são poucas as pessoas que viram “homem” e encaram a mentira. Basta ter coração. A não ser que se tenha vendido a alma ...

 

Mas isso não importa. Queria acreditar que o mundo não é egoísta. Mas essa é mais uma mentira. Cada um com a sua dor, sempre achando que a sua dor é maior do que a dor do outro. Como somos egoístas e não respeitamos. Mas basta olhar para o lado. E se possível, batalhar na real verdade para que aquela mentira não se torne uma verdade absoluta. Pelo menos no coração do outro.



  10h29 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




T E M P O

 

 

 

Einstein já dizia que o tempo era relativo. E, de fato, com o tempo percebemos que ele tinha razão.

 

Por que será que o tempo, quando estamos apaixonados, voa? E quando estamos tristes, desamparados, o tempo não passa? O tempo cronológico é o mesmo. Mas o tempo, dentro do coração, é muito diferente. E sabemos que só o tempo pode mudar ...

 

As horas não passam, mal conseguimos respirar. Dói o coração, dói a alma. Quando estamos apaixonados o tempo é o oponente do amor. Queremos mais, que nunca acabe. Talvez venha daí o que “seja eterno enquanto dure”. Mas acredito no para sempre ...

 

Dura, eternamente, os momentos. E guardamos na memória do coração. Para sempre.

 

A dor da separação, ou uma simples dor, passa com o tempo. Mas lá dentro, lá no fundo da nossa alma, não queremos que seja real aquela dor e que tudo volte a ser como antes: eterno, ao menos enquanto dure...

 

Existe segurança maior do que o amor?

 

Não acredito. E nem você acredita. O nosso ministro (me foge agora o nome dele e não estou no ânimo de procurar), quando foi enviado para Londres, mandou uma carta para o Presidente da República dizendo haver um problema sem solução e que precisava voltar urgentemente ao Brasil. E que não poderia exercer aquele cargo tanto almejado em Londres. No final da carta ele explicou o motivo. Disse que o problema sem solução era uma mulher. Uma mulher que ele amava. E que ela estava no Brasil. Precisava voltar. A resposta do presidente? Mandou que ele retornasse no primeiro vôo. Até o Presidente acreditou no amor ... e o pior (ou melhor): é verídica tal história. E a sua moral? Nada se pode fazer quando se ama. Quando se ama, se luta. Quando se ama, não há obstáculos, nem que seja o oceano.



  11h20 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Esses dias escutei que acredito fielmente na paixão. Acredito, com todo o coração. Acredito na família, talvez pela minha, e acredito na união entre homem e mulher que podem (devem) ser amigos, amantes, namorados e até marido e mulher.

 

De vez em quando tenho dúvidas se é tão utópico essa minha imaginação. Mas lá dentro do coração acredito que existe uma alma que possa compartilhar essa minha loucura. A loucura da união. Do compartilhar. Ou simplesmente de amar.

 

Às vezes queria poder acreditar que nada disso existe, e que o mundo é racional, que não existe o amor. Mas (infelizmente ou felizmente) acredito com todo o coração. Pode ser até infantil. Mas essa infantilidade é a coisa mais pura que um ser humano pode sentir.

 

A paixão é avassaladora, derruba montanhas. O amor é o cuidado, o desespero pelo bem estar. Em italiano a expressão “ti voglio bene” diz tudo. É o te quero bem. E quando queremos o bem de uma pessoa, amamos.

 

E como quero o bem das pessoas que amo. Quero romper os obstáculos mais impossíveis. Quero lutar com todas as forças e usar de todas as armas para o objetivo maior: simplesmente amar.

 

Quando nos vemos no auge do sofrimento achamos que não vai passar. Sabemos que passa. Mas sabemos que às vezes podemos deixar passar o grande amor da nossa vida. O amor que é a coisa mais importante da vida, talvez por gerar outras vidas, fruto do amor.

 

Às vezes (sempre) me sinto sozinha em busca do inimaginável. Mas a certeza é tanta em acreditar que esse amor existe. E que esse amor vai lutar da mesma forma que lutamos nós, que acreditamos nessa possibilidade.

 

O tempo ... passa. Não há culpa, não há nada que obste esse desejo, o maior sonho de todos na vida. O maior sonho do coração. Existem dificuldades. Mas essas dificuldades podem ser superadas. Ainda mais quando há união e reciprocidade. Lembro de uma cena do filme "Um homem de família". Eles vivem de uma maneira humilde e ele queria mais, queria dinheiro, status. Dizia que a partir dali haveria inveja. Ela, simples e consciente do amor daquele casal, reponde: as pessoas já morrem de inveja do que construimos. Do real amor vivido. Da família construída fruto do amor.

 

Queria ser a mulher do nosso ministro. Queria ser essa mulher que viu e sentiu com o seu coração um verdadeiro amor.

 

E tenho esperança que isso existe. Mesmo que muitas vezes me depare com as lágrimas que corroem meu coração que ainda não está enferrujado.

 

Sim, talvez eu seja uma amante do amor alucianda por acreditar que não é um sonho e sim a mera realidade ...



  11h20 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




2 0 0 7

 

 

 

Uma vez escutei que não devemos tratar os sentimentos alheios com irresponsabilidade. E que se nos tratam assim, que não sejamos tolerantes.

 

Às vezes deixamos a irresponsabilidade dominar a tolerância. Notoriamente por amor. E não nos damos conta disso. Uma vez escutei que não podemos construir casas sob areia. Emocionada e decidida a construir uma casa de concreto nos moldes antigos, da época dos tijolos, estive numa cidade onde, de fato, as casas eram construídas na areia.

 

Me impressionei como os grãos de areia queimam os pés. Machuca. Falta estrutura, talvez. E era isso que ele falava. Estrutura. Mas esquece-se que, para se ter estrutura, precisa haver cuidado. “Quando a gente ama é claro que a gente cuida” ... (Caetano perguntava ou afirmava que se não há cuidado não há amor?).

 

Mas também me impressionei como as possibilidades – de até se construir casas em terrenos arenosos –, na verdade, estão diante de nós. E nós, por algum motivo muito íntimo e não compartilhado, não deixamos que o sentimento, que a casa (ou seja lá o que for), seja efetivamente erguida. Nem por tijolos nem na areia ...

 

Aí vem o cansaço. O cansaço de sentir aperto no coração e não ser acalmado por um beijo, um abraço ou uma palavra. O cuidado que Caetano dizia. O cansaço de pensar nas supostas e muitas vezes infantis respostas. Fingimos muitas vezes que acreditamos. E logo quando vêm as pueris respostas aparecem novas perguntas, ainda sem respostas. Cansa investir e perder, embora na vida muitas vezes a gente perca e muitas vezes a gente ganhe.

 

(segue)



  08h42 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Dizem que o importante é competir. Uma vez escutei que quem acredita nessa frase é porque nunca sentiu o sabor da vitória.

 

Mas o desânimo não pode contagiar o coração. Caímos, choramos, saímos machucados. Mas há vida. “Há tanta vida lá fora e aqui dentro sempre”...e tanta gente especial. O coração deve estar aberto nos momentos surpresas desagradáveis da vida.

 

E é assim que ele vai ficar, devagarzinho, no ritmo de sua batida, como se fosse uma eterna música: aberto. Para que a vida seja caminhada passo a passo para ser construída. De preferência de tijolinho por tijolinho. Não quero que ela desmorone, como desmoronado está o coração. Já dizia Mário Quintana que “amar é mudar a alma de endereço". E, se depender da construção, levanto o primeiro o tijolo.

 

Coração aberto, apaixonado como sempre pela vida e disposto a continuar trilhando o caminho da descoberta. Não procuro, encontro. Hei de encontrar.

 

E que 2007 seja assim: construído de tijolos, dentro do limite da tolerância do respeito aos sentimentos. Em 2007, 2008, 2009, 2010 ...

 

Respeitar é o verbo. Talvez se respeitar ...

 

Em 2007, 2008, 2009, 2010 ...

 



  08h38 PM [   ] [ envie esta mensagem ]





 
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